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Enquanto eu ainda trabalhava na gráfica conseguimos firmar um contrato com a principal empresa do polo industrial da região. Isso foi em 2011, e a empresa precisava de alguém que pudesse ir até a fábrica de alumínio para dar suporte na impressão do informativo semanal que eles tinham.

Eles possuíam contratos gigantescos com agências e poderiam chamar qualquer profissional da capital, mas isso exigia mais dinheiro e mais tempo, já que o profissional contratado precisava se deslocar e os custos de uma agência são muito maiores do que os de uma gráfica que trabalha na região.

Posso te mostrar uma coisa?

Antes de continuar a sua leitura, posso te contar uma novidade? Eu lancei recentemente a minha própria plataforma de cursos online, a Suíte Criativa, e depois de 5 anos publicando vídeos, tutoriais e dicas no canal do Clube do Design no youtube eu finalmente desenvolvi o meu próprio curso online de Illustrator com certificado.

Se você puder, dá uma olhadinha lá no site e conheça o meu curso de Illustrator. Tenho certeza de que você pode aprender muito sobre um dos aplicativos criativos mais usados do mercado. Não se assuste, o preço é barato sim! O meu objetivo é que todas as pessoas possam ter acesso a ensino de qualidade, por um preço extremamente acessível.

Obrigado! Continue com a sua leitura ;)

Este artigo faz parte do Diário de um freelancer, um ebook gratuito com novos capítulos publicados toda semana aqui no Clube do Design. Você pode ler todos os capítulos publicados clicando aqui e também pode baixar a versão mais recente do ebook em PDF para ler de onde estiver.

Como eu era o “coringa” no atendimento da gráfica, eu fui escalado. Basicamente tinha de ir para a empresa uma vez por semana, às quartas-feiras, e dar suporte na impressão, rebatendo papel, operando a impressora e ajudando com a separação e acabamento.

Durante as visitas, era comum eles precisarem de ajuda no ajuste de algum projeto, como por exemplo um cartaz que ia ser afixado na empresa, um convite que ia ser mandado por email. Então o meu conhecimento básico em design e domínio do CorelDRAW serviu como uma luva, e como isso fazia parte do escopo do contrato, eu comecei a ser escalado mais vezes para dar uma mãozinha no desenvolvimento deste tipo de material.

Em paralelo, um profissional da agência visitava a empresa para fazer a diagramação do informativo semanal, isso era feito usando o InDesign, aplicativo que até então eu nunca havia usado, e que só conhecia pois usava o Photoshop e via o InDesign na lista de aplicativos da Creative Suite (hoje Creative Cloud).

Como um cara curioso, eu resolvi dedicar algumas horas do dia em pesquisar sobre o InDesign e comecei a abrir os arquivos dos informativos na fábrica sempre que possível para praticar.

Como eu já tinha o domínio do Photoshop, aprender InDesign não foi tão difícil, mas eu precisei mesmo correr atrás de material sobre diagramação, layout de páginas e design editorial pra entender como aquilo ali funcionava.

O domínio do Photoshop me permitiu descobrir atalhos do InDesign rapidamente, e em algumas semanas eu já conseguia editar o material da fábrica, e com o conhecimento que tinha em pré-impressão e imposição (fruto do trabalho na gráfica com o CorelDRAW) eu até conseguia fazer o trabalho muito mais rápido.

De posse deste conhecimento e mais o que eu havia aprendido sobre diagramação nos livros, na internet e em cursinhos online e vídeos do Youtube, eu só precisava da oportunidade para mostrar o que tinha aprendido.

Você pode imaginar a oportunidade como uma situação onde eles magicamente precisaram de mim para fazer o trabalho, mas na vida real não é bem assim que funciona. Você deve criar as oportunidades, e saber fazer isso exige sutileza e um pouco de atenção.

Durante algumas semanas eles precisavam editar os informativos, seja para manter algumas cópias impressas em arquivo ou para corrigir alguma coisa no texto. Então eu prontamente me oferecia para ajudar e demonstrar um pouco do que eu já havia aprendido. Eu fazia alguns ajustes, imprimia, e em pouco tempo eu consegui demonstrar que eles tinham o que precisavam diante deles.

Foi então que a gráfica onde eu trabalhava assumiu o controle da edição do informativo, e eu era escalado todas as semanas para fazer a diagramação no InDesign, e cuidar da finalização e impressão do material.

Eu já sabia editar com Photoshop, inclusive com foco em impressão, então eu pude dar conta de todo o trabalho do começo ao fim, suportando a demanda de edição das imagens, edição do layout e garantindo que o trabalho fosse executado por uma única pessoa, já que eu também imprimia e ajudava com o acabamento.

Além disso, eu havia acabado de adicionar mais uma ferramenta ao meu leque de habilidades, diagramação e layout de páginas com o InDesign.

Como as oportunidades são construídas?

Construir as próprias oportunidades significa se capacitar constantemente e não desistir quando encontrar um novo desafio. Investir em conhecimento é a sua principal arma, e um profissional capacitado certamente atrai as melhores oportunidades.

Eu usei o que eu tinha a meu favor, mesmo sabendo que design e diagramação não se resumem a usar o InDesign, eu não esperei para fazer uma faculdade, eu aprendi, corri atrás, me capacitei e dominei uma ferramenta completamente nova em algumas semanas, aliando o conhecimento prévio e as outras especialidades que já dominava.

Me dediquei em estudar sobre grids, diagramação, construção de páginas e design editorial, e ninguém precisou me pedir ou me mostrar isso. Algo que não estava ao meu alcance como arte-finalista em uma gráfica que basicamente trabalhava com notas fiscais e rifas, mas que foi determinante para eu agarrar uma das melhores oportunidades que eu poderia ter.

Depois de planejar por três anos me tornar freelancer, em novembro de 2014 eu larguei o emprego na gráfica e decidi ser independente. Eu já tinha equipamento, clientes, e só precisava começar a trabalhar.

Desenvolvi pelo menos dois projetos de redesign de marca e mantinha alguns projetos de atendimento constante, como panfletos mensais pra uma escola técnica e alguns materiais para redes sociais, o que garantia que o dinheiro entrasse todo mês.

Foi assim até fevereiro de 2015, quando recebi uma proposta irrecusável. Fui chamado para trabalhar na maior empresa do polo industrial da minha cidade. Uma multinacional do alumínio, onde eu havia trabalhado como suporte em acabamento de impressão, e onde aproveitei tal oportunidade para me desenvolver como diagramador e editor gráfico. Veja só, oportunidade criada, oportunidade decisiva!

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