Produção Gráfica #15 – Retícula estocástica

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Analisando retículas ©Shutterstock

Quando estudamos sobre as retículas, aprendemos que são uma rede de pontos, interposta entre a objetiva e a chapa, que torna possível a reprodução dos meios-tons pela decomposição da imagem em inúmeros e pequeníssimos pontos.

Utilizada na grande maio­ria dos materiais impressos, a retícula convencional, conhecida também como linear ou ainda AM (Amplitude Modulada), possui os pontos de tamanhos diferentes, os ­quais estão dispostos em linhas.

Imagem em retícula de apenas uma cor
Imagem em retícula de apenas uma cor

É possível controlar a quantidade dos pontos determinando a li­nea­tu­ra, medida em lpi (linhas por polegadas) ou lpc (linhas por centímetro), além de escolher o po­si­cio­na­men­to desses pontos, determinando a angulação em que estão dispostos, sendo o padrão amarelo 90°, magenta 75°, preto 45° e cyan 15°.

Essas angulações podem ser alteradas para obter diferentes resultados, além de depender do sistema de impressão em que o material está sendo reproduzido.

Retícula estocástica

retícula estocásticaUm outro método de distribuição de pontos disponível desde 1993 é chamado de “retícula estocástica” ou “retícula de frequência modulada”, que na verdade nem é uma retícula, como veremos adiante.

A maioria dos designers têm contato diário com a lógica deste recurso, pois é a mesma utilizada pelas impressoras coloridas domésticas: a produção dos tons não por pontos organizados (como mostrado na imagem acima) mas distribuídos de maneira aparentemente aleatória, se unindo ou se afastando de acordo com o tom de cor desejado.

É assim que funciona a retícula estocástica, com o adicional de que os seus pontos são microscópicos, variando de 7 a 40 milésimos de milímetros. O termo “frequência modulada” dá ênfase, justamente, ao fato de que os pontos não se organizam geometricamente, mas sim, por módulos.

A retícula estocástica, também conhecida como FM (Frequência Modulada), não possui diferença no tamanho dos pontos, distribuídos de forma aleatória. Foi trazida para o Brasil pela ABTG em 1993 por meio do Projeto HiFi Color, com coordenação de Fernando Pini, então diretor de tecnologia da ABTG, na tentativa de aumentar o nível de detalhamento das imagens reproduzidas, eliminar o moiré (defeito resultante da angulação incorreta dos pontos) e obter cores de alto impacto.

Porém, as gráficas tinham deficiências estruturais que impediam a obtenção de dados ajustáveis e criação de padronizações importantes para o uso da retícula estocástica. Sem contar o fato de que na época o fotolito era o único meio para geração da matriz de impressão. A utilização de sistemas de gravação digital (CtP) trouxe uma nova oportunidade para a utilização dessa retícula.

São inúmeras as vantagens das retículas FM, especialmente a melhor definição das imagens e dos detalhes, cores mais vívidas e uma melhor simulação de tons contínuos. Embora ainda enfrente muitos problemas por causa da sua complexidade, a tecnologia está em pleno aperfeiçoamento.

Referência externa: Revista Tecnologia Gráfica.

1 COMENTÁRIO

  1. Liute, boa tarde! Há alguma forma de remover as retículas de uma determinada cor em uma foto? Seja bitmap, jpeg, png, etc. Um exemplo que passei esses dias foi o seguinte, um bitmap em CMYK que não tinha a necessidade de ter o cyan, sendo que o cyan estava apenas sobrecarregando as áreas de sombra. Sendo assim tive que pedir para que fizessem a separação na clicheria, mas sinto que posso realizar essa ação no photoshop, assim consigo separar as cores, porém não consigo agrupar novamente selecionando apenas as requeridas, no caso magenta, amarelo e preto. Caso conheça um breve tutorial ou consiga me passar uma breve explicação seria de grande valia, obrigado e mais uma vez parabéns pelo blog!

    • Olá Leonardo, você pode remover os canais de um projeto no momento da impressão, é o local correto a se fazer isso uma vez que imagens em bitmap são compostas por pontos das 4 cores de de seleção. Ou seja, no momento da geração das chapas de impressão, o arte-finalista (ou operador do CTP) pode escolher qual chapa irá descartar. Fazer isso no arquivo, para imagens raster, seria um processo de edição bem complexo que envolveria editar a imagem até remover os canais que não se deseja. Infelizmente não é algo que eu possa te mostrar em um comentário, pode variar de imagem para imagem, e certamente pode-se chegar ao mesmo resultado de diversas maneiras possíveis. Obviamente isso é muito mais simples de se fazer em imagens vetoriais, já que é possível escolher nos controles do aplicativo quais cores comporão cada objeto.
      Um abraço!

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