Um dos principais problemas em produção de materiais impressos é a fidelidade de cores. As cores podem sair diferentes do que você está vendo na tela do computador por diversos motivos, e neste artigo, da série Produção Gráfica, nós vamos analisar alguns deles.

Na semana passada eu publiquei um vídeo no canal do Clube do Design no Youtube onde expliquei noções básicas sobre gerenciamento de cores, recurso indispensável se você pretende garantir que as suas cores não sofram alterações durante o processo de produção. É importante que você veja este vídeo antes, para entender melhor como este tipo de problema acontece, e porque é tão difícil de contorná-lo.

No próprio vídeo eu menciono quais os problemas que podem ocasionar mudanças de cores entre os diferentes dispositivos usados no fluxo de trabalho de produção e impressão. Mas vejamos alguns com mais detalhes.

Conversão de cores RGB para CMYK

Como vimos no vídeo, dispositivos que utilizam luz para representar cores, como monitores, câmeras e scanners, utilizam o modo de cores RGB. Por outro lado, dispositivos de impressão, na maioria dos processos, utilizam cores CMYK, compostas por pigmentos de tinta.

Um dos principais erros que causam a diferença de cores nos projetos impressos é a utilização de espaços de cores incorretos no projeto. Os aplicativos de design permitem criar projetos usando modos de cores RGB, para trabalhos para web, por exemplo, e CMYK, para os projetos impressos.

Por falta de atenção ou desconhecimento do designer, o modo de cores RGB pode ser utilizado erroneamente em um projeto que será impresso em modo CMYK. Se o designer não fizer o trabalho de conversão das cores RGB para CMNYK, adequando-o ao fluxo de trabalho de impressão, as cores podem ficar muito diferentes, principalmente em cores muito saturadas e fora da gama de cores que pertence ao espaço CMYK.

O papel utilizado no processo

O papel é a superfície onde a tinta será aplicada e tem influência direta na tonalidade das cores. Papéis mais brilhantes como o cuchê, tendem a saturar as cores, o que não acontece em papeis foscos, que absorvem mais tinta e deixam as cores mais opacas.

Papéis como os utilizados em jornais são mais amarelados, deixando a impressão mais apagada, mais amarelada e com uma aparência muito mais escura. É por isso que os catálogos de tintas geralmente trazem amostras de impressão em vários tipos de papeis para que a gráfica possa comparar os resultados que podem ser alcançados.

Para um fluxos de trabalho com gerenciamento de cores, cada papel deve ser analisado de acordo com os resultados de impressão, e um perfil de cores ICC específico deve ser gerado e instalado no computador sempre que aquele papel for usado no processo.

Caso o gerenciamento de cores não esteja presente, pode-se tentar minimar os imprevistos fazendo testes de impressão ou utilizando papéis com resultados mais conhecidos, com cuchês e sulfites e um perfil de cores ISO genérico.

A carga de tinta

Apesar de existirem impressoras modernas com controle de carga de tinta eletrônica, a grande maioria das gráficas ainda usa impressoras que precisam da intervenção do impressor para controlar a carga de tinta no impresso.

Caso o impressor adicione uma carga de tinta maior em determinada cor do processo CMYK, esta carga acarretará na diferença das tonalidades impressas. A quantidade de tinta, especialmente nas policromias, interfere diretamente nas cores impressas, gerando resultados variados.

Nestes casos, a experiência do impressor no controle de carga de tinta e nos testes iniciais de impressão é fundamental para garantir a fidelidade de cores. Nos processos de grandes tiragens, uma prova impressa é realizada para identificar a carga de tinta necessária para a correta impressão do material.

Processo instável

Em todo processo de impressão, seja serigráfico, offset ou flexográfico, a repetibilidade é o maior objetivo. Poder repetir o mesmo resultado, as mesmas tonalidades de cores em um impresso, independente do número de tiragens é algo praticamente impossível.

Isso se dá principalmente por causa da instabilidade em cada um destes processos. O clima, o papel, os ajustes na máquina, o fabricante de tintas, todo o processo influencia no resultado final.

É por isso que trabalhos impressos em diferentes tiragens tendem a apresentar uma pequena variação tonal, e deve-se estabelecer um nível de tolerância entre estas variações a ponto de identificar quando podem interferir no resultado. O impressor pode fazer ajustes de carga de tinta a fim de estabilizar o resultado, nivelando e compensando no total da tiragem aqueles exemplares lavados, borrados ou com carregamento exagerado em uma determinada cor.

No final das contas, a corrida para atingir cores fiéis em todo o processo é muito difícil, e exige um rígido controle de qualidade.

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