A partir deste ponto da nossa série sobre produção gráfica começaremos a estudar cada um dos processos de impressão de forma individual, explorando da forma mais prática possível suas principais características.

Antes de prosseguir, se este for o seu primeiro artigo aqui, recomendo que leia todos os capítulos anteriores desta série clicando aqui. Entender os conceitos apresentados anteriormente facilitará seu entendimento.

A litografia é um processo de impressão antigo, hoje em dia é utilizado apenas em trabalhos com fins artísticos. É uma técnica de impressão que utiliza uma pedra calcária de grão muito fino e baseia-se na repulsão entre a água e substâncias gordurosas.

O termo tem origem grega formada por lithos (pedra) e graphein (escrever). O termo foi criado pelo professor Mitterer em 1805, em Munique. A litografia foi inventada pelo checo Aloysius Senefelder (1771-1834).

Quando criada, a litografia usava uma matriz de pedra polida sobre a qual o papel era pressionado, com os elementos para reprodução registrados na pedra por substancias gordurosas. Quando a pedra era umedecida, as áreas gordurosas repeliam a água e recebiam a tinta, também gordurosa e viscosa, de forma a permitir a reprodução apenas daqueles elementos. A água das demais áreas impedia que a tinta se espalhasse.

Trata-se de um método de impressão a partir de imagem desenhada sobre base, em geral de calcário especial, conhecida como “pedra litográfica”. Após desenho feito com materiais gordurosos (lápis, bastão, pasta etc.), a pedra é tratada com soluções químicas e água que fixam as áreas oleosas do desenho sobre a superfície.

A impressão da imagem é obtida por meio de uma prensa litográfica que desliza sobre o papel.

A flexibilidade do processo litográfico permite resultados diversos em função dos materiais empregados: em lugar da pedra, cada vez mais são usadas chapas de plástico ou metal, em particular de zinco.

O desenho, por sua vez, altera sua fisionomia de acordo com o uso de pena, lápis ou pincel. Testes de cor, texturas, graus de luminosidade e transparência conferem às litografias distintos aspectos.

De extensa aplicação na indústria como processo gráfico – por meio do offset, a litografia é testada por artistas de diferentes épocas. Francisco de Goya (1746-1828) emprega a litografia no período final de sua vida quando realiza, entre outros, a série Touros em Bordéus.

Thédore Géricault (1791-1824), Eugène Delacroix (1798-1863) e Honoré Daumier (1808-1879) são outros exímios na técnica. Daumier, particularmente, executa a litogravura na maior parte de sua obra – calcula-se mais de 4.000 -, sobretudo em seus cartuns políticos e charges sociais.

O Grito, litografia e aguarela, 1895

Edvard Munch (1863-1944), por sua vez, reproduz uma série de pinturas de sua própria autoria, como a famosa tela O Grito, que passa à litografia, em 1895, e Melancolia, 1896. A litografia em cores mobiliza o interesse de artistas franceses como Henri de Toulouse-Lautrec (1864-1901), Pierre Bonnard (1867-1947) e Édouard Vuillard (1868-1940), influenciados de perto pelo sucesso das xilogravuras japonesas. Na Inglaterra é possível lembrar as estampas simbolistas de William Blake (1757-1827) e as imagens de James Whistler (1834-1903).

Veja uma reportagem sobre o processo de impressão litográfico:

No século 19 a matriz litográfica passou a ser feita em metal, podendo assumir a forma cilíndrica e tornando o processo rotativo, dando origem à litografia industrial. Daí em diante foi muito utilizada para impressão de partituras musicais, gravuras e até livros.

A principal desvantagem da litografia era um processo de aplicação trabalhosa, pois utilizava-se impressão direta (quando o suporte tem contato com a matriz). Este não era de fato o problema, já que hoje temos processos que usam o mesmo mecanismo, porém, a litografia usava água sobre matriz, e o contato do metal molhado com o papel danificava o resultado.

Além disso, a tinta litográfica tinha uma viscosidade que fazia com que o papel aderisse à chapa metálica (o papel ficava grudado, interrompendo a impressão), sem mencionar manchas causadas pelo contato das cópias e papeis que ficavam colados uns aos outros na saída. Um processo penoso do ponto de vista industrial.

A solução surgiu no século 20 a partir da inserção de um elemento que convertesse a impressão direta em indireta, filtrando o excesso de água e tinta entre a matriz e o papel. Este mecanismo foi conhecido como “offset litography” ou simplesmente como conhecemos hoje, offset.

Referências:

Se liga nos demais capítulos da série produção gráfica. Até o próximo post!

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