Cor #2: Teoria tricromática

Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no telegram
Compartilhar no linkedin

Como a luz cria a impressão de cor na mente? No início do século 19, Thomas Young, físico inglês que viveu de 1773 a 1829 postulou que o olho devia conter receptores compostos de partículas que oscilavam com comprimentos de onda de luz específicos.

Imagine a quantidade de cores que enxergamos e a quantidade de partículas que seriam necessárias para reproduzir todas estas cores. Parece impossível, não é mesmo? Seria necessário um número infinito de partículas.

Young previu que não eram necessárias tantas partículas para que pudéssemos ter a de cores, em vez disso, descobriu através de investigação (a experiência com prismas que vimos no post anterior) que as seis cores do espectro poderiam ser reduzidas em três cores básicas.

Inicialmente a tricomática de cores de Young identificou o vermelho, amarelo e azul como sendo as três cores necessárias, mas posteriormente ele trocou o amarelo pelo verde. O cientista alemão Hermann von Helmholtz prosseguiu nos estudos da teoria de Young e propôs que o olho continha apenas três tipos de receptores de cor, que respondiam mais fortemente aos comprimentos de onda vermelho (R), verde (G) e azul-violeta (B).

Na década de 1960, cientistas conseguiram confirmar a existência dos receptores descritos por Young e Hermann, uma série de cones divididos em três tipos sensíveis a comprimentos de onda específicos, correspondentes ao vermelho (570 nanômetros), ao verde (535nm) e ao azul (425nm).

Comprimentos de onda

A luz entra no olho através da pupila e é concentrada pelo cristalino na retina, onde estimula os bastonetes e os cones. A informação sobre o que estamos vendo é transmitida ao cérebro pelo nervo óptico.

Estrutura dos receptores do olho humano
Estrutura dos receptores do olho humano

Dentro da retina, existe um arranjo complexo de células especializadas que processa a informação dos fotorrecptores (bastonetes e cones). Cada tipo de cone é responsável por processar uma cor (vermelho, verde ou azul). Você pode observar na imagem abaixo que há poucos cones azuis, o sinal deles é reforçado de alguma maneira para desempenhar um papel mais ou menos igual na visão colorida, mas não sabemos ainda como isso acontece.

Bastonetes e cones
Bastonetes e cones

A combinação das três cores primárias da luz para recriar o espectro inteiro hoje é conhecida como mistura aditiva. Partindo de uma ausência de luz (escuridão, preto), a luz de cada cor primária é adicionada para produzir tons progressivamente mais claros, variando a proporção de cada uma para criar tons diferentes. Quando temos todas as três cores juntas, formamos a cor branca.

Você pode ver a mistura aditiva em ação em qualquer dispositivo eletrônico, como monitores, TVs, celulares. Eles basicamente usam luz (leds, diodos ou lâmpadas) nas cores vermelho, verde e azul, e as misturam para reproduzir as cores na tela.

Imagem ampliada dos diodos de um monitor de computador
Imagem ampliada dos diodos de um monitor de computador

Apesar de a teoria tricromática de Young e von Helmholtz explicar muitas observações sobre a cor, ela deixava muitas questões em aberto. Nos anos 1870, Ewald Hering, um contemporâneo de von Helmholtz, estudou a impressão subjetiva da cor.

Ele assinalou que o amarelo, supostamente produzido por uma combinação de verde e vermelho na verdade era percebido como uma cor elementar (cor primária). Teoricamente deveríamos enxergar uma mistura de vermelho e verde, algo como um “verde-avermelhado” ou “vermelho-esverdeado”. Ele então descobriu que somos fisicamente incapazes de visualizar estas combinações.

Isso o levou a rejeitar o modelo tricromático em favor de um sistema de quatro sensações cromáticas: amarelo, vermelho, azul e verde, mais preto e branco, que geram cores por um processo de oposição.

Processo de oposição
Processo de oposição

Pesquisas subsequentes demonstraram que tanto a teoria tricromática quanto a teoria do processo de oposição estão corretas. Elas lidam com o que acontece em diferentes etapas do processamento visual no olho e no cérebro.

Cores do processo tricromático
Cores do processo tricromático

Portanto, sistemas cromáticos baseados em ambos os modelos ainda são usados por cientistas, artistas, ilustradores e designers, e cada sistema mostra-se adequado a diferentes fins.

A cor no mundo real é reconstituída pelo olho e pelo cérebro humanos por meio das três faixas estreitas de comprimentos de onda a que são sensíveis os cones da retina. Por exemplo, vermelho e verde, em proporções iguais, produzem amarelo, vermelho e azul produzem magenta, verde e azul produzem ciano.

Proporções diferentes produzem variações infinitas. Combinar as três cores igualmente resulta em cinza neutro, que em seu brilho máximo, é branco.

Este texto faz parte da nossa Série Sobre Cores. Clique no link e veja todos os artigos.

Conteúdo

Conteúdo relacionado

Comentários

O que você achou deste texto? Use a seção de comentários abaixo para tirar suas dúvidas, sugerir novos conteúdos ou para conversar comigo e a comunidade.

0 0 votes
Avaliação deste post
Subscribe
Notify of
guest
11 Comentários
Newest
Oldest Most Voted
Inline Feedbacks
View all comments
Israel
Israel
26/05/2021 09:27

Eu estava estudando justamente esta série sobre cores, e hoje acordo e não consigo mais acessar, as imagens estão quebradas o que prejudica o entendimento do artigo. Que pena! 🙁

Israel
Israel
26/05/2021 18:16
Reply to  Liute Cristian

Muito obrigado. O pouco que li está me ajudando muito, estou seguindo os passos que você escreveu no post sobre designer gráfico autodidata.

trackback

[…] Para maiores detalhes, confira a série de cores do Club do Design. […]

trackback

[…] Para maiores detalhes, confira a série de cores do Club do Design. […]

trackback

[…] escala tem como base a Teoria Tricromática em que a luz é o elemento chave para a formação de cores através do sistema aditivo – […]

trackback

[…] escala tem como base a Teoria Tricromática em que a luz é o elemento chave para a formação de cores através do sistema aditivo – […]

trackback

[…] em células no córtex visual do cérebro, que trabalham com base em princípios similares ao Processo de Oposição de Hering. Essa descoberta é a base do contraste simultâneo, um importante principio no uso das cores na […]

trackback

[…] vimos no último post, as cores primárias que enxergamos são o Vermelho (R) o Verde (G) e o Azul (B), responsáveis por […]

trackback

[…] vimos no último post, as cores primárias que enxergamos são o Vermelho (R) o Verde (G) e o Azul (B), responsáveis por […]