Como desenvolver um símbolo para um projeto de design de marcas?

Neste artigo compartilho com vocês algumas dicas para que a tarefa de desenvolver um símbolo para uma marca se torne mais fluida e fácil.
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O criativo não é algo linear. Não existe uma receita de bolo ou uma fórmula que trará a tão sonhada ideia genial. No entanto, para que a criação flua de forma natural, existem algumas técnicas e caminhos que podem auxiliar na criação de um símbolo para uma marca.

Para que isto ocorra, nós designers devemos sempre estar em contato com os mais diversos tipos de inspirações para aumentar o nosso repertório visual, o que auxiliará no processo criativo. Dessa forma, teremos mais facilidade em passar para o papel ou para o computador, cores e formas que sejam adequadas ao projeto desenvolvido e que satisfaçam nossos clientes.

Como mencionei no artigo “Elementos essenciais para o design de marcas #02”, o processo de cognição (percepção) de uma marca gráfica se dá basicamente em três etapas, sendo a identificação das formas a primeira delas. Por isso, ao ser visualizada, a forma deve fornecer ao espectador o reconhecimento, a associação com a empresa, o produto ou para o qual o designer está projetando.

E neste artigo compartilho com vocês algumas dicas para que a tarefa de desenvolver um símbolo para uma marca se torne mais fluida e fácil.

1 – Use a definição do conceito de marca

Para Alina Wheeler em seu livro Design de Identidade de Marca “O trabalho do designer de identidade é administrar a percepção por meio da integração do significado e da diferenciação visual”.

Ou seja, nesta etapa, você deverá criar um símbolo que esteja de acordo com toda pesquisa realizada até o momento e determinará qual abordagem de design será a mais adequada às necessidades do seu cliente e que também deve ter uma fundamentação lógica de acordo com o projeto que está sendo realizado.

Para dar início à criação devemos retornar para a etapa de geração de conceito da marca gráfica (que você pode conferir no artigo “Como gerar conceitos para marcas gráficas”). Neste ponto, veremos novamente as imagens e os esboços feitos a partir do mapa mental conceitual até a definição do conceito da marca.

Depois de todas as pesquisas realizadas e da geração do conceito você terá um grande repertório para iniciar a criação do símbolo da marca. Se necessário, use novamente as palavras-chave encontradas no briefing e na etapa de pesquisa e faça mais esboços e relações entre elas.

2 – Comece com Papel, Lápis e Borracha

Antes de evoluir os esboços feitos na etapa conceitual, lembre-se de alguns pontos essenciais que fazem parte do design de marcas gráficas e que contribuem para o delas, como a durabilidade da marca, a função prática, a função estética, a pregnância da forma e as aplicações dela.

Além disso, perguntas como: “Qual será o tipo de símbolo? Abstrato? Pictórico?”, “Qual estilo de logotipo será mais adequado a ele?”, “Terá uma tagline?”, “Como ela ficaria ajustada ao símbolo?”, entre outras.

Neste momento, não precisa se prender exatamente a estes elementos, pois isso poderá limitar a sua criatividade. No entanto, apenas lembre-se deles, para que no final da criação você volte e verifique como o símbolo que você criou atende ou não a estes pontos.

Agora você deve seguir o conceito e criar diversos esboços dele. Nunca pare na primeira ideia, mesmo que ela seja a sua melhor ideia. Segundo Alina Wheeler “O designer pode examinar centenas de ideias antes de se concentrar em uma ideia final”.

Na etapa de esboços você deve testar formas (curvas ou retas, pontiagudas ou suaves), posições (frontal, superior, lateral), proporções e grids, respeitando o estilo da empresa para a qual você está criando a marca gráfica.

3 – Técnicas de Criação

Nesta etapa você pode utilizar algumas técnicas de criação como utilizar “verbos de ação” em sua ideia. Se, por exemplo, o seu projeto for para um Pet Shop e você deseja fazer uma casa como o símbolo desta empresa, faça o esboço inicial e em seguida faça esboços “acrescentando os verbos de ação”.

Por exemplo: ampliar (amplie o tamanho da casa do esboço inicial), multiplicar (faça múltiplas casas – Como ficou a composição?), diminuir (reduza o tamanho da casa do esboço inicial), juntar (coloque outro elemento junto da casa relacionado ao mundo pet), entre outros.

Outra técnica de criação seria o brain dumping visual, onde você começa a fazer seus esboços, determina um tempo para fazê-los e depois compara-os. Com os diversos esboços feitos, ao invés de refinar apenas um deles crie formas alternativas a partir de alguns deles. Assim, você pode conseguir resultados diferentes, que você nunca imaginou fazer, e a partir disso poderá finalmente refinar uma ideia.

A busca de conexões forçadas é uma outra técnica interessante. Voltando ao exemplo do Pet Shop você poderia fazer duas listas de palavras associadas ao mundo pet: uma de produtos que a empresa vende e outra de raças de animais.

A partir daí você cria diversos esboços de conexões entre essas duas listas, como um Shih-tzu segurando uma bolinha, ou um Lhasa Apso dentro de uma casinha, ou um Dálmata comendo ração em uma vasilha.

Outros estudos como as leis da Gestalt, o ícone, o índice e o símbolo da semiótica, o uso de figuras de retórica, também auxiliam na hora da criação de um símbolo para uma marca. Se você desejar aprender um pouco mais sobre essas técnicas, recomendo o livro “Intuição, Ação, Criação – Graphic Design Thinking” de Ellen Lupton.

4 – Escolha do Símbolo

Após utilizar as técnicas de criação, devemos caminhar para a escolha do esboço de símbolo que apresenta maior coerência em relação ao projeto e neste momento devemos verificar se estes esboços estão de acordo com os pontos essenciais do design de marcas que mencionei no segundo tópico deste artigo.

Então, eleja os principais símbolos que se adequam ao conceito da marca e que melhor representam a filosofia e a personalidade da empresa. Reduza suas opções para que o processo seja mais direcionado e específico.

Neste momento, devemos pensar mais criticamente e verificar se estes símbolos têm boa legibilidade, se são atemporais (Tem chances de acompanhar a modificação da comunicação da empresa ao longo dos anos?), se possuem boa pregnância, se podem ser aplicados sem problemas nos materiais promocionais do cliente. Além disso, coloque o nome da empresa ao lado do símbolo, bem como uma tagline e verifique se há algum problema em relação à utilização deles em conjunto.

Após fazer esta análise, devemos verificar os pontos fracos dos símbolos selecionados e tentar algumas opções para corrigi-los. Caso esses problemas inviabilizem a utilização de algum deles, devemos descartá-lo e tentar ver se um outro símbolo escolhido se adequa melhor ao conceito e às necessidades da empresa.

Desta forma, você se encaminhará para a escolha final do símbolo que melhor se adequa ao conjunto que foi extraído do briefing, das pesquisas e ao que foi selecionado para o conceito da marca gráfica.

Solicite a opinião de designers e não designers sobre o símbolo escolhido. Assim, outros pontos de vista poderão lhe informar algo que você não havia percebido anteriormente, podendo até mesmo, fazê-lo reconsiderar ou ajustar a sua escolha.

Todo este processo de esboços pode ser feito diretamente no computador com o auxílio de softwares de criação. Essa escolha depende do designer. Eu, por exemplo, gosto de esboçar em folhas de papel quadriculado e depois passar a ideia final para o software para finalmente fazer a validação, os ajustes e a finalização do símbolo.

5 – Validação, Ajustes e Finalização

De acordo com Alina Wheeler “Os designers devem realizar testes rigorosos antes de apresentar qualquer conceito, para demonstrar a flexibilidade e durabilidade do seu produto”.

Na etapa de validação devemos fazer diversos testes com o símbolo escolhido e verificar como ele se comporta em cores, em preto e branco, como fica sua aplicação em grandes ou pequenos formatos, em mídias digitais, na papelaria da empresa. Ou seja, verifique a flexibilidade do símbolo criado.

Este processo pode ser concomitante à construção do logotipo. Desta forma, você pode testar a assinatura visual da empresa em diversos formatos. Utilize mockups para visualizar as diversas aplicações em produtos reais, utilizando também textos reais.

Se algo não funcionar, busque alternativas. Essa é a hora de resolver os problemas do símbolo. Faça os ajustes necessários até esgotar seus questionamentos sobre o uso dele.

Após validar e fazer os ajustes, chega a hora da finalização do símbolo. O refinamento das formas nos softwares de criação, a organização das diversas assinaturas visuais, a escolha das cores mais adequadas de acordo com a personalidade da empresa e o início da construção da identidade visual.

Conclusão

É importante mencionar aqui que a criação de um símbolo, não necessariamente segue esta ordem. O processo criativo é diferente para cada designer. Aqui exemplifiquei o meu processo criativo e algumas técnicas que auxiliam na criação de símbolos.

Lembre-se que todas as atividades exigem prática. Então, estude e pratique todas estas técnicas e outras que você julgar pertinentes. Com o passar do tempo, esta será uma atividade feita com mais naturalidade e rapidez. No entanto, cada cliente tem sua especificidade e lhe exigirá adaptação na hora da criação do símbolo. Por isso, mantenha sua mente aberta e seja criativo!

E você? Qual o seu processo para criar símbolos para de design de marca? Conta aqui para a gente e contribua com a sua experiência. Se tiver alguma , deixe nos comentários que terei o maior prazer em responder.

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