Nas aulas anteriores, vimos que tudo começa com um ponto e que o movimento desse ponto cria uma linha para guiar o olhar. Mas o que acontece quando essa linha faz uma curva, dá a volta no espaço e encontra o seu próprio ponto de partida? Quando uma linha se fecha e delimita uma área, nasce uma forma.
As formas são as ferramentas que usamos para dar corpo e peso às nossas ideias. No design gráfico profissional, um contorno nunca é escolhido por puro acaso ou gosto pessoal. Cada figura possui um significado psicológico profundo que o nosso cérebro interpreta de forma automática, muitas vezes antes mesmo de lermos as letras e palavras que estão ao redor.
A Geometria e as Mensagens Ocultas
As formas geométricas são aquelas que conhecemos desde a escola: possuem medidas exatas, proporções matemáticas e contornos muito bem definidos. Por conta dessa exatidão, elas são as nossas melhores amigas quando precisamos transmitir ordem e estrutura.
Quadrados e Retângulos: A Base Segura
O quadrado e o retângulo representam a estabilidade, a segurança e a ordem. Por terem bases sólidas fixadas no chão e ângulos retos de 90 graus, eles transmitem a ideia de algo que é honesto e altamente racional.
Se você analisar o mercado, perceberá que muitos bancos, hospitais e grandes empresas de tecnologia constroem as suas marcas em cima dessas figuras para passarem credibilidade. Na criação de sites, quando você desenha um botão ou um cartão de informação com quinas totalmente retas e afiadas, está a dizer ao usuário que aquele ambiente é sério e formal.
Círculos: A Unidade Acolhedora
O círculo é a representação da perfeição e do infinito, afinal, ele não tem um ponto de começo nem um ponto de fim. Diferente da dureza do quadrado, o contorno circular é fluido, suave e muito orgânico. Ele transmite sentimentos ligados à comunidade, à proteção e à união.
Basta olhar para o seu telemóvel para ver isso na prática. Reparou como as fotos de perfil nas redes sociais e os botões de ação mais importantes costumam ser redondos ou ter bordas muito arredondadas? Isso acontece porque o cérebro humano acha as curvas muito mais amigáveis, seguras e convidativas ao toque.
Triângulos: O Símbolo do Movimento
Se o quadrado é a estabilidade e o círculo é o acolhimento, o triângulo é a figura da direção e da energia pura. Quando a sua ponta está voltada para cima, ele simboliza o crescimento, o poder e a elevação. Quando está deitado, ele magicamente se transforma em uma seta que dita o caminho a seguir: o botão clássico de “Play” dos vídeos é o maior exemplo disso.
No entanto, é preciso ter cuidado com a sua energia agressiva. As pontas afiadas do triângulo também podem ser interpretadas pelo cérebro como risco ou perigo. Não é à toa que a maioria das placas de advertência nas rodovias utiliza essa geometria exata para nos deixar em estado de alerta.
A Natureza e a Simplificação no Design
Apesar da matemática ser muito útil, o design visual também bebe de outras fontes para se comunicar com as pessoas, fugindo das regras rígidas quando o projeto pede um toque mais solto e humano.
As Formas Orgânicas
São aquelas diretamente inspiradas na natureza, como o desenho de uma folha, uma gota de água, uma mancha de tinta ou o contorno irregular de uma nuvem. Elas são totalmente assimétricas, não possuem regras matemáticas e, por isso mesmo, transmitem uma sensação inigualável de liberdade e espontaneidade. Marcas ecológicas, empresas focadas em criatividade ou produtos artesanais costumam adotar essas silhuetas livres para se afastarem da frieza corporativa e criarem uma conexão humana rápida.
As Formas Abstratas
Por fim, temos as figuras abstratas, que são versões simplificadas de objetos reais do nosso cotidiano. O ícone de um carrinho de supermercado em uma loja virtual ou o desenho de um envelope na área de contato de um site são exemplos perfeitos. O designer pegou um objeto cheio de detalhes e removeu tudo o que não era essencial, deixando apenas uma forma básica. Isso serve para comunicar uma ideia de forma muito rápida em espaços minúsculos.