Resumo

Vamos viajar no tempo para entender a origem física das letras. Você vai descobrir como Johanes Gutenberg revolucionou o mundo com os tipos móveis, como funcionava a impressão mecânica e como esses conceitos antigos ainda ditam as regras da tipografia moderna que usamos no computador.

Módulo 4

Tipografia no Design Gráfico: Guia Prático para Iniciantes

O que é Tipografia e a “Voz” do Design
O que são Tipos: Da Prensa de Gutenberg ao Digital
Estilos Tipográficos: Variações de Peso, Eixo e Largura
Caixa Alta, Caixa Baixa e Versaletes: Variações de Face e Legibilidade
Anatomia dos Tipos: A Estrutura das Letras
Seleção Tipográfica: Como escolher o Tipo Ideal para seu Projeto
A Arte do Pareamento: Como Combinar Tipos com Harmonia e Contraste
Hierarquia Visual e Escala Tipográfica: A Regra 1-2-3

O que são Tipos: Da Prensa de Gutenberg ao Digital

É comum existir uma certa confusão quando tentamos conceituar o que são tipos. Isto porque o termo foi criado para designar originalmente os tipos móveis de metal ou madeira utilizados nas prensas mecânicas.

Porém, hoje em dia, com o uso extensivo dos computadores, este termo passou a ser utilizado para designar tipografias digitais específicas ou como sinônimo de família tipográfica.

Tipos móveis

Quando a impressão como conhecemos hoje não existia, os livros eram escritos à mão em um processo que tomava bastante tempo.

Graças a Johanes Gutenberg, um ourives que aprendeu a construir moldes de ouro e prata, surgiram os tipos móveis, letras feitas em metal que revolucionariam a maneira com que produzimos livros e qualquer material impresso.

Obter letras estampadas por cunho de caracteres feitos em metal só foi possível por que Gutenberg inventou um processo para fundir uma quantidade sem limite de letras a partir de moldes, a partir das letras-mãe, chamadas matrizes.

Você pode conhecer este fantástico processo em um artigo publicado no Tipógrafos.

Eu trabalhei como arte-finalista em uma gráfica onde pude ter contato com algumas peças de tipos móveis. Elas ficavam guardadas em algumas gavetas e já não eram mais usadas desde que o dono investiu em impressoras offset.

Sempre fiquei curioso sobre como eram utilizados e ficava imaginando quanto trabalho daria para imprimir um jornal, revista ou livro.

Tipos móveis metálicos organizados para impressão tipográfica.
Tipos móveis organizados para impressão.

A prensa de tipos móveis é um dispositivo que aplica pressão numa superfície com tinta, transferindo-a para uma superfície de impressão, geralmente papel ou tecido, imagine como um carimbo funciona, é mais ou menos isso.

Ela é normalmente utilizada para imprimir textos, mas também foi adaptada para impressão em larga escala de imagens, mapas, diagramas e tabelas matemáticas.

No vídeo abaixo você pode ver a prensa em funcionamento. O vídeo está em inglês, mas você pode apenas acompanhar o processo em execução.

Da mesma maneira, a xilogravura, criada na Idade Média, e a litografia, do século XIX, fazem reprodução em massa de imagens, mas com técnicas um pouco diferentes da utilizada pela prensa móvel.

O vídeo abaixo conta um pouco da história de Gutemberg e a invenção da prensa móvel.

O canal Nerdologia também abordou o tema com uma visão sobre o futuro da impressão.

O pesquisador Átila Iamarino fez um excelente vídeo que explica como os tipos móveis surgiram e suas influencias históricas. Confira clicando aqui.

Dando significado aos tipos

O tipógrafo Eric Gill certa vez observou que “letras são coisas, não imagens de coisas”. Letras isoladas, quando dispostas de forma especial, representam os sons de uma língua falada, e expressam ideias visualmente de modo que outra pessoa possa entendê-las da forma pretendida.

Muito além do significado de cada palavra, a forma dos tipos pode dizer muito mais do que o conteúdo do texto o qual apresenta.

A tipografia diz respeito à disposição das letras em um projeto, normalmente para fins de impressão.

A variedade de faces tipográficas e os diferentes modos como os tipos podem ser usados em um projeto podem intensificar ou alterar o significado das próprias palavras criadas com os tipos.

A maneira como as letras são formadas e apresentadas altera a nossa percepção das ideias que elas estão retratando, como demonstrei no exemplo com a placa de alerta.

Veja mais alguns exemplos na imagem abaixo, retirada do livro Tipografia de Gavin Ambrose e Paul Harris.

Diferentes faces tipográficas apresentadas no livro Tipografia.
Tipografia – Gavin Ambrose e Paul Harris – página 14 (fragmento)

Os tipos móveis estão praticamente em desuso, dando lugar às tecnologias computacionais e de impressão digital. Apenas alguns estabelecimentos gráficos ainda os mantém como uma forma de oferecer um produto diferenciado de impressão.

Entretanto, todos os conceitos e fundamentos empregados para a fabricação dos tipos móveis são usados até hoje, seja para a criação de novas fontes que serão usadas nos aplicativos de computador, seja para a construção de projetos de design consistentes.

Veja a seguir, uma lista de links para você ler e expandir mais sobre o assunto:

Flash-cards de Memorização

Tente responder à pergunta mentalmente antes de revelar a resposta. Este exercício ajuda a fixar o conteúdo que você acabou de aprender.
Eram letras individuais fundidas em metal (ou esculpidas em madeira) a partir de moldes. Eles podiam ser organizados manualmente para formar palavras e páginas, permitindo a impressão em massa pela primeira vez na história.
Porque a terminologia e os fundamentos que usamos hoje nos softwares (como o nome das partes das letras e espaçamentos) derivam diretamente dos processos físicos da prensa mecânica e da linotipia.
Ele ressaltou que as letras possuem uma forma física e uma existência própria no design. A maneira como elas são dispostas no papel ou na tela pode intensificar ou até alterar o significado literal das palavras que elas formam.
Agora que você conhece a origem física dos tipos, vamos entender as suas formas. Na próxima aula, vamos explorar os Estilos Tipográficos e aprender a escolher a personalidade certa para o seu layout.

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